Entrevista com Dr. Eduardo Schor sobre endometriose
Lembram quando falei de endometriose aqui no Blog? Como eu disse, cólica menstrual muito intensa e de difícil resolução, pode ser sinal da doença. Para somar às informações sobre o tema, leiam a entrevista completa com Dr Eduardo Schor,publicada no Uol Saúde, em que ele alerta para os sinais como as cólicas intensas para o diagnóstico da endometriose. Veja:
UOL Ciência e Saúde: O que é endometriose?
Eduardo Schor: Quando a mulher menstrua, é o endométrio (mucosa que reveste o interior da cavidade uterina) que descama. Em 80% das mulheres, uma parte desse endométrio volta e cai dentro da pelve. É o que chamamos de menstruação retrógrada, que não é necessariamente sinal de doença. Nas mulheres com endometriose, porém, essas células formam o que chamamos de implantes. Toda vez que a mulher menstrua, aquele pedacinho de endométrio no lugar errado “menstrua” também, e a doença progride. Esses implantes podem ir para ovário, intestino, bexiga, e até para os pulmões. Recentemente recebi o vídeo de uma menina de 14 anos que tem foco de endometriose no olho: quando ela menstrua, ela chora sangue. Mas isso é raríssimo.
UOL Ciência e Saúde: Qual o perfil de mulher com mais chance de ter a doença?
Schor: Normalmente a doença é diagnosticada em mulheres entre 25 e 35 anos. No entretanto, sabemos que a endometriose começa mais cedo. Hoje acreditamos que começa na adolescência. Jovens que têm parentes com a doença na família também devem ficar atentas. As mulheres que começam a menstruar mais cedo também têm mais chance de ter endometriose.
UOL Ciência e Saúde: Quais os sintomas da endometriose?
Schor: O sintoma principal é a cólica, mas também pode haver dor durante a as relações sexuais e infertilidade. Metade das mulheres que busca clínicas de Reprodução Assistida hoje têm como causa da dificuldade para engravidar a endometriose. Já nos estágios mais avançados, também pode haver outros sintomas, dependendo do local onde a doença se instala. Se estiver no intestino, por exemplo, pode aparecer sangue nas fezes.
UOL Ciência e Saúde: Por que é tão difícil diagnosticar a doença?
Schor: Em geral, a mulher acha que é normal sentir cólica e a doença passa despercebida. Ela toma anti-inflamatório, vai trabalhar, mas passa mal o dia todo. O problema é que a paciente nem sempre volta ao médico para reclamar que a dor continua. Ela vai tentando outros anti-inflamatórios, troca de pílula, de médico, e a doença continua evoluindo, até causar um comprometimento maior. Um levantamento mostrou que, do início dos sintomas até o diagnóstico da doença, o tempo médio é de oito anos. Muitas passam por quatro, cinco ginecologistas até descobrir o problema, o que é um absurdo.
UOL Ciência e Saúde: Toda mulher que tem cólica menstrual pode ter endometriose?
Schor: Não. A cólica da mulher que tem endometriose é progressiva, ou seja, com o passar do tempo ela vai piorando. As medicações usualmente utilizadas deixam de surtir efeito e, em alguns anos, a mulher já não consegue mais realizar suas atividades diárias. A cólica “normal” é aquela que passa com um simples analgésico ou anti-inflamatório.
UOL Ciência e Saúde: O ultrassom pélvico, que se faz nos exames de rotina, não mostra essa presença anormal de endométrio?
Schor: Não. Nos estágios iniciais, quando os implantes são pequenos, o exame não detecta nada. Mesmo o ultrassom transvaginal só mostra a doença quando o estágio já está avançado. Existe um marcador sanguíneo, o CA-125, descoberto para diagnóstico de tumor de ovário, que está aumentado em 40 a 50% das mulheres com endometriose. Mas, como ele não aparece em todos os casos, especialmente nos iniciais, não deve ser usado como exame preventivo. Em resumo, o diagnóstico da doença é clínico.
UOL Ciência e Saúde: O que origina a endometriose?
Schor: Há duas linhas de pesquisa. Uma defende que a doença está no útero, ou seja, a mulher com endometriose teria uma série de alterações e, por isso, as células que caem na pelve causam problema. Outra parcela defende que a doença está ligada a questões imunológicas – o organismo não conseguiria combater essas células que voltam pela menstruação retrógrada. E há a propensão genética, também. Quem tem caso de endometriose na família tem sete vezes mais chances de ter a doença. Mas é difícil que as mulheres, hoje, tenham essa informação, porque suas mães e avós engravidavam mais cedo e, assim, não desenvolviam a doença.
UOL Ciência e Saúde: A gravidez protege a mulher da endometriose?
Schor: Quanto mais a mulher menstrua, mais ela fica exposta à doença. A gravidez, no início da doença, também pode funcionar como tratamento, por causa do hormônio progesterona. É por isso que existe aquele mito de que cólica passa depois que a mulher engravida – isso acontecia antigamente, quando as mulheres se casavam e tinham filhos cedo. Hoje, com a mudança dos hábitos de vida da mulher moderna, a incidência da doença vem aumentando.
UOL Ciência e Saúde: Como é o tratamento?
Schor: Se a endometriose estiver no começo, o tratamento é suspender a menstruação, com uso contínuo da pílula, DIU com hormônios ou injeções. Mas isso só resolve quando a doença é diagnosticada cedo. Nos estágios mais avançados, o tratamento pode ser a menopausa induzida por medicamentos e a cirurgia. Tira-se um pedaço do intestino, os ovários ou a trompa, dependendo de onde estiver o foco. Há mulheres que, mesmo sem filhos, pedem para tirar tudo, tamanha é a dor que a doença provoca. Em alguns casos, pode-se até indicar fisioterapia porque a dor provoca alterações posturais que continuam mesmo depois do tratamento. Por isso, nossa briga é chamar a atenção para o diagnóstico precoce: esclarecer as jovens, e também os médicos, que ter cólica forte não é normal.
UOL Ciência e Saúde: A doença está mais frequente, ou é o diagnóstico que melhorou?
Schor: Temos diagnosticado cada vez mais a doença, e presenciado casos cada vez mais avançados. Isso ocorre porque a mulher está adiando a gravidez, em função do papel que assumiu no mercado de trabalho. Mas também há estudos que indicam a possibilidade de que haja algum fator ambiental envolvido. Uma das substâncias que pode ter relação com o aumento da endometriose é a dioxina, um poluente usado na produção de plástico e outros derivados de petróleo, mas isso ainda está sendo investigado.
UOL Ciência e Saúde: Se a mulher pretende continuar adiando a gravidez, então a saída é não menstruar?
Schor: Isso é controverso. Nos casos iniciais de endometriose, a pílula e outros métodos para suspender a menstruação são o tratamento indicado. Já nas mulheres saudáveis, é preciso analisar o custo-benefício, porque os hormônios têm seus efeitos colaterais. A proteção ideal seria engravidar mais cedo.
Comments (4)
DESDE QUE PERDI A VIRGINDADE SANGRO DURANTE A RELAÇAO SEXUAL,O SANGRAMENTO É BASTANTE INTENSO DEPENDENDO DA POSIÇÃO.ESTOU COM 40 ANOS NÃO TENHO UMA VIDA SEXUAL ATIVA MAS AO TER RELAÇÃO SANGRO.NA PENETRAÇAÕ DOI MUITO NO COMEÇO.NO COMEÇO DA MINHA MESTRUAÇÃO TINHA COLICAS FORTES COMO SE FOSSE CONTRAÇÕES DE PARTO AO COMEÇAR O ANTICOCEPCIONAL A COLICA ACABOU MAS O SANGRAMENTO CONTINUA.
Olá…estou fazendo um estudo sobre a endometriose para meu TCC, e estou tendo um pouco de dificuldade de definir o período em que vou buscar os artigos. O Dr. saberia me informar quando começou-se a estudar a endometirose, ou mesmo se ouve um marco histórico em que a partir daí aprofundaram-se mais os estudos sobre o assunto? Desde já obrigada..
Ola Dr.Eduardo.Tenho 39 anos e a quaze tres fiz uma transvaginal na qual foi diagnosticada “Suspeita de Endometriose com Adenomiose”.Desde entao minha qualidade de vida diminuiu e sinto muitas dores.O primeiro tratamento foi o Cerazette,que apesar de ter suspendido a menstruacao nao eliminou as dores e ja engordei 16 kg ! estou aguardando uma videolaparoscopia para fazer o diagnostico preciso apos a biopisia,ja que todos os exames apenas sugerem e nunca confirmam.Tenho um filho de 6 anos e sou muito feliz por ter conseguido.Li seu artigo sobre a unha de gato e gostaria de saber como utiliza-lo.Por favor me de uma resposta,pois estou realmente desesperada com essa doenca silenciosa e tao complicada.Grata !
pelo pouco que conheço sobre a endometriose, sei também que é incomum o aparecimento da doença em adolecente mais tenho uma amiga que aos 15 anos foi constatada e comprovada pelos médicos a endometriose. ela sofre muito desde então, estamos tentando falar eom o doutor eduardo schor. se vc puder ajudar-nos porfavor estamos muito preocupados com ela.