Esclerose múltipla, o que é mesmo?

fevereiro 8, 2010 Mais sobre sua saúde

esclerose múltiplaNão é incomum a gente ouvir as pessoas dizerem: “Nossa, ando me esquecendo de tudo, acho que estou ficando esclerosado!”. Bom,  entendo que quando alguém diz isso está se referindo a alterações no sistema nervoso, mais precisamente o cérebro, mas a esclerose a que vamos nos referir aqui tem muito mais que isso. Vamos então falar de verdade do nosso tema de hoje, a Esclerose Múltipla (EM).

Você já deve ter ouvido falar em substância branca e substância cinzenta (popular massa cinzenta), vou então começar por onde você conhece. No nosso cérebro e em outras regiões do sistema nervoso central, como a medula, temos esses dois tipos de substâncias. Na parte cinza fica o que vamos chamar de corpo do neurônio, na branca está o que chamamos de axônio, uma espécie de cauda. Essa cauda é envolvida por uma estrutura que chamamos bainha de mielina e ela é nosso foco na Esclerose Múltipla.

Vamos devagar… Por essa bainha passam os impulsos nervosos, o que nos leva a concluir que ela precisa estar intacta para que tudo saia perfeito. Na esclerose múltipla, as células de defesa da pessoa, os famosos linfócitos, atacam essa estrutura, o que promove uma desorganização no sistema nervoso e uma série de alterações. Podemos então dizer mais uma vez que estamos diante de uma doença auto- imune, assim como expliquei quando falei da Artrite Reumatóide aqui no blog.

Certo, mas o que essa desmielinização (é o nome que damos à destruição da bainha de mielina do neurônio) gera no organismo? Os sintomas são os mais variáveis possíveis, não havendo exatamente um diante do qual possamos dizer: “Isso é esclerose múltipla com certeza!”. Mas podemos suspeitar quando nos deparamos, PRINCIPALMENTE, com:

  • Mulher jovem, entre 20 e 40 anos; alguns autores dizem de 35 a 55 anos;
  • Fraqueza muscular progressiva;
  • Dor nos olhos;
  • Borramento visual;
  • Visão dupla;
  • Dor no corpo, em qualquer área;
  • Fadiga;
  • Tremores
  • Alterações de sensibilidade;
  • Distúrbios do equilíbrio e da marcha;
  • Sensação de choque elétrico irradiando para a coluna em direção aos membros durante a flexão do pescoço (Fenômeno de Lhermitte);
  • Incontinência urinária;
  • Sintomas que aparecem, normalmente em surtos, e desaparecem (85% dos casos);

Falei PRINCIPALMENTE, porque podemos encontrar muito mais alterações na EM, como depressão, disfunção sexual, dificuldade de memória, enfim, poderia fazer uma lista enorme para vocês, mas optei pelos principais para tornar a leitura mais compreensível.

Existe exame? Sim. Normalmente, após excluir outras possíveis causas dos sintomas, há alguns exames que podem ser solicitados onde é possível encontrar alterações como: coleta do liquor por punção lombar (o mesmo que fazemos na meningite), ressonância magnética de crânio e potenciais evocados (não deve conhecer esse, não é, é um exame de estimulação das terminações nervosas).

A pergunta mais importante agora é: Tem tratamento?

Infelizmente, não há ainda um tratamento definitivo para a esclerose múltipla que podemos dar certeza de cura. O que se faz hoje é tentar retardar a progressão da doença e tratar sintomas específicos.  Para isso existem os corticóides, imunossupressores e imunomoduladores que atuam com este objetivo. Cada paciente responde ao tratamento de forma diferente, tendo uma evolução branda da doença, outros podem apresentar déficits neurológicos mais sérios com o tempo.

Bom, temos aí mais uma doença prevalente nas mulheres, cerca de duas vezes mais que nos homens e que também não tem um medicamento que determine sua cura. Infelizmente, após quinze anos de doença, a maioria dos pacientes tem alguma limitação.

É isso aí, essa foi mais uma para que vocês conhecessem um pouco mais!

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Comments (2)

 

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