Mulher e depressão: entrevista com a Psic. Haidy Nese
março 16, 2010 Mais sobre sua saúde
Um assunto que infelizmente não sai de moda é a depressão, há dados que a encaminham para o título de doença do século. Bom, não é uma boa marca para um século, mas conhecer mais sobre ela e procurar os profissionais habilitados para tratar o problema é o melhor caminho para combatê-la.
Hoje estou muito contente de poder contar com a Psicóloga Haidy Nese, psicóloga clínica e especialista em dependência química, em uma entrevista para esclarecer melhor sobre o assunto mulher e depressão. Segundo ela, o número de pessoas acometidas pela depressão no mundo moderno tem crescido por conta da deficiência no estabelecimento de normas, diretrizes sociais e morais, causando inúmeros conflitos no ser humano e afetando um número maior de mulheres por uma questão física e social.
Confira a entrevista…
Anna Luyza: Vejo que as pessoas têm muita dificuldade em distinguir tristeza de depressão, como saber claramente a diferença entre as duas?
Psic. Haidy: A tristeza faz parte de um estado de humor, assim como a alegria e a raiva e sua intensidade varia de acordo com os acontecimentos do cotidiano, da personalidade e afetividade de cada um. Já a depressão se caracteriza por comprometer além do humor, o físico e o pensamento, sendo uma doença como qualquer outra que exige tratamento. Alguns dos sintomas da depressão são:
- Perda de energia ou interesse por atividades do cotidiano
- Humor deprimido
- Dificuldade de concentração
- Alterações do apetite e do sono
- Lentificação das atividades físicas e mentais
- Sentimento de pesar ou fracasso
Anna Luyza As mulheres são mais acometidas pela depressão que os homens, isso se justifica apenas pela instabilidade hormonal?
Psic. Haidy: Acredita-se que além da instabilidade hormonal feminina há influencia dos aspectos psicológicos, pois as mulheres são mais emotivas e expressam com mais facilidade seus sentimentos que os homens. Além disso, não podemos esquecer dos aspectos sociais valendo à pena destacar a transformação no papel da mulher dentro da família e na sociedade,ocorrida nas últimas décadas, e o ônus que parece ter recaído sobre ela com o acúmulo de responsabilidades. Além de não ter havido aumento proporcional de seu poder decisório ou mesmo reconhecimento adequado de suas condições, elevando o nível de stress, tornando-a mais suscetível à depressão.
Anna Luyza: Você acha que hoje temos mais mulheres deprimidas que no tempo das nossas avós ou temos apenas uma mudança de realidade, facilitando falar sobre o problema e buscar ajuda?
Psic. Haidy: Acredito que hoje temos mais mulheres deprimidas, pois as transformações que o mundo sofreu, tanto moral, como social foram muito grandes e, quer queira quer não, toda mudança é gradativa. Hábitos antigos ainda se confundem muito com novos hábitos da sociedade moderna, causando inúmeros conflitos emocionais e a mulher, por estar mais suscetível a isso, sofre as conseqüências.
Anna Luyza: Na sua experiência clínica, há uma prevalência de faixa etária ou um perfil de mulheres mais acometidas pela depressão? A que você relaciona isso?
Psic. Haidy: Percebo uma prevalência na fase da adolescência e na menopausa, são fases que tanto a jovem quanto a mulher madura estão passando por grandes transformações tanto físicas quanto emocionais e dependendo da susceptibilidade da pessoa esses grupos em especial acabam sendo um alvo fácil para a depressão.
Anna Luyza: Um trabalho da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, reafirmou o componente genético da depressão. Além disso, que outros fatores pode estar relacionados a pais com problema importante de depressão ter filhos também deprimidos?
Psic. Haidy: Não podemos esquecer que além do componente genético, os pais são os primeiros modelos sociais, comportamentais e emocionais que a criança tem quando nasce. O desenvolvimento da depressão é influenciado por diversos fatores, inclusive pelo ambiente afetivo que acaba tendo um peso grande no caso da criança. E mais uma vez não podemos esquecer, é claro, da susceptibilidade individual a esse quadro, que varia de criança para criança.
Anna Luyza: É possível curar definitivamente a depressão?
Psic. Haidy: Temos um controle paliativo em cima dessa doença, mas como todas as outras doenças, acredito que sim. No dia em que conseguimos equilibrar e ter controle de nossas emoções não existirão mais doenças, pois a raiz de todas elas estão no nosso estado de desequilíbrio emocional.
Anna Luyza: Sei que você deve atender os mais variados casos de depressão em seu consultório, você conseguiria dizer quais os principais motivos que levam a depressão hoje, falando de ambos os sexos?
Psic. Haidy: Noto que o principal motivo ainda é a dificuldade de relacionamento, de diversos aspectos, como separação, traição, solidão e busca por um parceiro(a) .
Anna Luyza: Em que momento a pessoa definitivamente precisa de ajuda profissional?
Psic. Haidy: No momento em que ela se sente estagnada, sem planos, sem metas, sem um projeto de vida, independente de já estar deprimida, pois esses são indícios de um provável caminho para a depressão.
Anna Luyza: Sabemos que existem diferentes tipo de abordagens entre os profissionais de psicologia, como saber que tipo de psicólogo procurar? Qualquer uma delas pode ter um bom resultado neste tipo de problema?
Psic. Haidy: Diria que é muito particular, vai depender da flexibilidade e sensibilidade do profissional em saber qual a melhor metodologia dentro da sua abordagem ou de até recorrer a uma outra abordagem que possa dar melhores resultados em um caso específico. Não podemos esquecer da questão da identificação profissional/cliente que independente da metodologia é essencial. No caso de um diagnóstico de depressão é importante o tratamento psicológico em conjunto com o psiquiátrico, pois como já foi falado, há componente físico neurológico em desequilíbrio, que acomete essa doença.
Anna Luyza: Quer acrescentar alguma recomendação às mulheres que lerem esta entrevista e acharem que precisam de ajuda, mas ainda não conseguiram buscar?
Psic. Haidy: As pessoas de um modo geral costumam dizer de si mesmas “SOU” sozinho(a), “SOU” feio(a), “SOU “chato(a), “SOU” gordo(a), “SOU” insuportável, “SOU” incompetente. A primeira coisa que procuro mostrar a elas é que “NINGUÉM É“, que podemos “ESTAR NOS SENTINDO” sozinho (a), “ESTAR NOS SENTINDO” feio, etc. Pois o nosso mundo vai ser do mesmo jeitinho que pensamos que ele é, em relação a tudo, as pessoas que estão ao nosso redor, ao nosso trabalho, a nós mesmos. Deixo aqui um desafio para mudarmos a palavra “SOU” para “ESTOU ME SENTINDO” e se depois disso achar que não concorda com esse sentimento ou simplesmente está com dificuldades para transformá-lo é hora de buscar ajuda profissional.
Muito esclarecedora a entrevista com a Psic. Haidy Nese, e o desafio foi lançado para todas aquelas que percebem que o “Sou” está dominando o seu vocabulário de forma negativa. Já disse U. S Andersen: “A melhor maneira de melhorar o padrão de vida está em melhorar o padrão de pensamento”. Mas se estiver difícil caminhar sozinha, procure um profissional habilitado!
Haidy Nese é Psicóloga Clínica, especialista em dependência química e colunista do site Plena Mulher. Mantém o site www.psicologia.moogo.com onde trata de assuntos pertinentes a sua área de atuação.Leia também:
Comments (7)
Muito boa entrevista!
Depressão é uma péssima doença, fui vítima dela, mas hoje vivo muito bem. Fiz tratamento com psicóloga e psiquiatra, tomei remédio por um tempo, mas agora já parei.
Parabéns pelo blog
Muito bem Anna Luyza!!! Essa entrevista com a Psic. Haidy Nese foi muito legal e esclarecedora!! Parabéns!! Continue assim, sempre se preocupando com as pessoas em todas as areas da saúde!!!
Bjosssssssssss
Ótimo esclarecimento, e interessante a dica. A depressão é realmente um desequilibrio emocional e esta abordagem foi muito explicativa. Parabéns ao MedInforme e a psicóloga.
Olá!!!!
Mais uma página importante e com muitos conhecimentos da psicóloga, nossa amiga Haidy. Gostei muito da diferenciação das afirmações EU SOU/NINGUÉM É. Melhor mesmo nós nos reconhecermos como sentindo tal e tal coisa e não nos definindo e nem nos rotulando. Afinal, a mudança é nossa grande mestra.
Sucesso sempre!
Teka
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