Violência contra a mulher:eu acredito no posicionamento
Eu poderia iniciar dizendo que não consigo entender certos posicionamentos de algumas mulheres no que diz respeito à violência que sofrem dos seus cônjuges, mas vou preferir me isentar de dizer “não entendo”.
A complexidade das relações e o que tem dentro de cada um é o que diferencia suas reações diante de um ato opressor. Até um tempo eu poderia julgar certos comportamentos, mas preferi parar com qualquer atitude desse tipo e perceber que o passado mal resolvido pode ser a marca de um presente passivo, complacente, sem nenhum ímpeto de mover um dedo contra um ato indignante. Não justifica, mas explica.
Não precisamos ir até o Marrocos para ver mulheres subjugadas, nem no Afeganistão para ver mulheres isentas do direito mínimo de mostrar o rosto, vivendo em prisões invisíveis e sofrimento estupidamente à mostra. Vejo aqui perto mulheres vítimas de homens doentes, agressivos, ameaçadores, opressores com ela e com seus filhos, em que a força de se levantar e dar seu grito de liberdade parece ter se dissipado na última ventania. Incompreendidas.
Abrir sites de notícias locais e ver manchetes como “Mulher desmaia após um murro do marido” (isso, foi escrito assim mesmo) ou uma redação pior para anunciar o assunto da matéria, que nem tenho coragem de escrever aqui, causa repugnância para qualquer pessoa com um grau de humanidade.
Falar de conquista do direito da mulher está fora de questão. Não é o fato de ser mulher, é o fato de ser gente, digna de valor, que tem passado, família, sentimentos. Que sente dor, angústia, se deprime e se esconde por trás de uma inércia (in)explicável de gritar ao mundo a opressão que vive.
Já pude ouvir coisas do tipo: “Mas eu dependo dele para viver”. O mínimo que se pensa nessa hora é: que conceito de vida existe espalhado por aí? É triste nem se ter conseguido até os dias de hoje fazer com que VIDA fosse uma palavra já compreendida, entendida e buscada com unhas e dentes. Viver uma pseudovida submissa, oprimida pelo pavor e pela justificativa própria de que ele estaria alcoolizado, está passando por problemas no trabalho ou qualquer rasa desculpa para si mesma vai muito além da inércia, é o retrato de uma sociedade desacostumada a se posicionar diante do indignante e gritar.
Os filhos refletem o comportamento dos pais. Filhos oprimidos pelo que assistem todos os dias em suas casas, têm uma enorme chance de ser adultos opressores. A campanha contra a pedofilia, contra a violência contra a mulher são bons caminhos, mas precisamos de mais. Precisamos ser proativos, resgatar o ego, ter consciência do poder que o posicionamento firme e indignado de uma sociedade tem.
Fiquei feliz de saber há poucos dias que o número de mulheres com coragem de denunciar a violência que sofrem aumentou, bem como a campanha contra a pedofilia surtiu grandes efeitos. Se aumentaram as denúncias, não é porque a violência aumentou, mas as pessoas têm se sentido mais amparadas pelas campanhas e pela justiça quanto a isso. Honra a quem tem honra, tiro o chapéu para esse tipo de campanha.
Preciso continuar acreditando no poder da sociedade mobilizada!
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Comments (3)

Muito boas palavras…o mundo anda doente mesmo…
Dormir com inimigo é uma coisa assustadora…e isso para mim, só pode ser doença…falta de amor dos pais…e horas para ser dito um “não”…isso faz com que cada vez mais apareçam pessoas assim, contubardas…ainda bem mesmo que as pessoas vêm denunciando mais!
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